Eu vivo brincando com os meus amigos sobre como é horrível ser pobre. Mas eu sei que não sou. Como todo membro convicto da classe média, meu cartão de crédito não pára. Vivo reclamando que não posso comprar, mas compro. Hoje mesmo rodei o shopping a procura de nada e encontrei milhares de coisas. Fiquei de voltar em outra loja porque tinha algo lá que amei, mas quando voltei não lembrava o que era. Acabei levando só um vestidinho.
Mas não é sobre minha compulsão destruidora de poupanças que eu quero falar. Não, não. Isso aqui pode ser visto até como um auto-deboche. É. É um auto-deboche. Bom, no último dia três a Forbes lançou uma lista (amo essas listas. elas sempre me deixam pra baixo) com as onze bolsas mais caras do mundo. A soma total dos valores tá no título do post (ok, pra não ser injusta, o total mesmo foi de U$795,000. então, não esqueça o troco), mas eu ainda não sei bem o que me deixou abismada.
Não é difícil imaginar uma bolsa de U$15,000. É meio absurdo, concordo, mas vende, não é? Tem gente que compra, pelo menos. Eu compraria se tivesse. Agora… U$260,000 numa Chanel cravejada com 334 diamantes? hmmm.
Sim. Isso mesmo. Esse é o preço a ser cobrado pela “Diamond Forever”, que terá apenas treze unidades em todo o mundo e vem com o símbolo da grife cravejado com meros 334 diamantes.
Tá certo que é uma Chanel, e Almodovar sempre coloca suas personagens com roupas da grife, mas se eu compro uma bolsa dessas (uhum.), acho que coloco numa redoma, ou numa bolha de oxigênio a lá Michael Jackson pra que ela nunca me abandone.
Imagina sair com uma dessas aqui no Rio? A bolsa vale mais que o meu apartamento, que não é nem meu, mas dos meus pais! Se bem que com essa coisa de Bebel, em Copacabana iriam dizer que a bolsa tem “catiguria” e nem assaltariam. E os diamantes, pra fazer tia Marilyn sacudir no caixão, seriam confundidos com strass. Uma lástima.
Não entendam mal. Não tô criticando quem compra ou quem vende. Quem me conhece sabe que se eu pudesse compraria. Duas de cada. Não de todas, por que não sou tão eclética assim e algumas não caíram no meu gosto. Mas esses valores absurdos só me fazem pensar no quanto não precisamos nos preocupar em ser normal, pois a própria vida já é absurda demais pra gente não seguir o fluxo.
Moda é moda e é cara, como todo mundo sabe. E todo mundo também sabe que, infelizmente, muitas que comprarão essas bolsas não as vêem da mesma forma que alguém que gosta e vive a moda. Pra elas – uma bolsa. Pra gente? Aff. Uma Chanel lindíssima que marcou 2007, com apenas treze unidades, mostrando o quanto essa coisa – antes – fútil, se tornou em algo muito acima de um mero condutor de comportamento: tem importância cultural e até econômica (vale lembrar que a Gisele ganhou espaço até no linguajar dos indíces da bolsa de valores americana… adouro!).
Acalmado meu ânimo (juro que fiquei desencontrada. viu a lista? começa com um simples U$15,000 e depois… “pro alto e avante!”), já posso dizer que os preços eram inevitáveis. Coco Chanel não fez besteira na vida. Pelo contrário. Listas como esta mostram isso. Agora, pra quem ainda quiser arriscar a ter uma, não custa checar se parcelam no cartão, ou se podem dar um descontinho básico de alguns muitos per cento. Pechinchar não é feio, minha gente. É questão de talento!
Pra outra turma – a minha -, que não pensa nem em olhar de novo aquelas bolsas (talvez só mais uma vezinha pra poder ver se encontra modelo parecido numa Zara da vida), só não vale também usar os valores dessas singelas onze peças, como desculpa pra achar aquela blusinha de R$800, um mimo de tão barato. Não, não. Se recomponha, mulher. Você há de achar uma igual por R$750. Não tem por que se preocupar. (mas se não for muito exigente… lojas de departamento estão aí pra suprir essa nossa carência. Afinal, não é só a etiqueta, não é? tem que saber escolher).
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